quarta-feira, 21 de março de 2012

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Já disse algumas vezes por aqui e por todo o lado, que salvo raras excepções, não vejo televisão. Em certas noites, em que caminho a passadas largas para uma inevitável acefalia, lá me deito na minha caminha, encostada em mil almofadas e dedico uns minutos a ver qualquer coisa. Rapidamente, fico enojada e deixo-me disso - e nem me atrevo a parar um pouco na esplêndida ficção nacional que passa nos canais genéricos no período compreendido entre as 21.30 e as 0.00, introduzindo-nos a vilões maquiavélicos de patilhas vincadas que matam até os animais de estimação do inimigo, a boazinhas que são mesmo boazinhas e vestem-se como alguém que é muito boazinho se deve vestir, assim com vestidos rodados e com totós, e claro, àquela senhora engraçada da mercearia ou do café, que faz rir meio mundo com o facto de ser tão castiça e típica, naquela forma de encher o copo de vinho. Já me perdi. Enfim, das outras vezes que me sento no sofá com intenções de ver televisão, acabo a fazer outras coisas mais interessantes, como dormir ou dar beijinhos. Hoje vinha para o trabalho e percebi porque não devo continuar a ver televisão. Dei de caras com a publicidade à nova edição dos Ídolos. A Barbára Guimarães enfiada num top de padrão indefinido foleiro, provavelmente para lhe dar aquele ar pop que o programa tanto exige, acompanhada do tipo que é muita bruto e chama os concorrentes de azeiteiros, esquecendo-se que ele próprio é bastante azeiteiro, mais esses dois vultos da música portuguesa,  Pedro Abrunhosa e o Tony Carreira. Dois poetas, cada um à sua maneira, um a acorrentar-se à porta do Rivoli, outro a aquecer os corações das senhoras emigrantes em França que não têm um homem charmoso daqueles para lhes atenuar as saudades da pátria. É o chamado circo de aberrações da era moderna.

1 comentário:

Mesmica disse...

Não é só o top da Bárbara que é foleiro. Para além dos seus "dignos" colegas, a pose dela no dito promo da coisa parece tão... tão... nem sei como dizer... mas tão ordinária. Não é pop. É mesmo para além disso.