sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

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Tenho uma grande embirração com  a PSP, justificada aviso já, por razões pessoais e profissionais. Contudo, a embirração passa a completo desprezo e a um sentimento de descredibilidade total quando vejo agentes a incomodaram constantemente um sem-abrigo que pára na Rua Garret com o pretexto de lhe perguntarem se tem os cães que o acompanham vacinados e com chip electrónico. Ameaçam sempre, se ele não tratar disso a curto prazo, da próxima vez levar-lhe os animais para o canil. De facto, só para um sádico ou para um atrasado mental é que parece razoável dizer tal coisa a alguém que a) não tem mais ninguém nem nada no mundo além daqueles animais que o seguem religiosamente; b) não tem dinheiro para comer. É a segunda vez que assisto à cena e deixo que a mesma me persiga o dia inteiro pela crueldade deles, pela minha cobardia. Por não ser capaz de lhes dizer, que a cinco minutos dali, na Rua Augusta e no Rossio, encontra-se droga, iPhones, cordões de ouro, todos oferecidos à descarada por gente que nada faz por disfarçar o negócio, exactamente porque sabem que a autoridade freudiana do bastão trazido à cintura só se aplica aqueles de quem os polícias não têm medo.

2 comentários:

Pedro disse...

Não creio que seja um traço exclusivo da PSP, o exercer o pequeno poder sobre os demai. Talvez se torne mais visível por serem agentes da autoridade (e mais triste também).

Pink World Fabuloutin disse...

Vergonhoso!!!