quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Descodificador Relacional

Aquela lengalenga sentida do "gosto demasiado de ti para te magoar no futuro" na verdade significa "não gosto de ti o suficiente para evitar magoar-te no presente". Esqueçam que isto foi um vício criado por Hollywood, pelos galãs de andar por casa e também pelos de meia tigela porque basta pensar um pouco na lógica da coisa para detectar a falsidade daquela justificação. E isto porque quem gosta de nós e mesmo assim acaba connosco terá necessariamente de nos remeter o envelope com a culpa. Ou seja, fizemos merda séria o suficiente para destruir o único medo que existe no verdadeiro amor - que não é magoar e ser magoado, o que acaba por acontecer por mais cuidado que se tenha - mas sim, perder o outro.

4 comentários:

Sofia disse...

Quem acaba connosco (adoro o plural destas coisas, mete-nos a todos num saco, assim não sou a única a já ter levado uma tampa destas) com esta desculpa é um mentecapto, uma pessoa sem coragem. Coragem de afirmar "gosto de ti, mas não o suficiente". Cobarde, portanto, só por isso mandará o tal envelope da culpa...

RBM disse...

O plural é mesmo propositado. são as minhas primeiras incursões na terapia colectiva :)

rubberband girl disse...

Eu confesso... já dei essa lengalenga (ou seja, sou uma mentecapta e cobardolas segundo a Sofia - why do I even bother to live anyway?), mas por incrível que pareça o seu significado não foi este que descreveste aqui, nem nada que se pareça. E pasme-se que hoje, passados 2 anos e meio , estamos juntos. A terapeuta vai concluir que estou a ser falsa há mais de 2 anos, certo? :p

Realmente falar no geral é capaz de não nos atraiçoar tanto, já quando se particulariza a coisa muda de figura. É tipo Maya, não é?

p.s - não estou a defender-me... hoje concordo que essa justificação de "não posso ficar contigo porque já te magoei de mais e não quero voltar a desiludir-te novamente" é patética, mas a razão nem sempre é essa que enunciaste (e obviamente que estou a falar por mim.)

Sofia disse...

rubberband girl, esta frase cliché já a ouvi assim como a disse. Tal como expressei acima, fui cobarde, poderia ter assumido que faltava o tal bocadinho assim para arriscar. Mas atenção, usei sempre ANTES de iniciar alguma coisa, nunca no decorrer, como parece ser o que aconteceu com a nossa RBM. No 'durante' é que me fez confusão, parece aquela sensação do "provei mas não gostei". Então, se não gostou, assuma, não venha com esta depois.
By the way, acho o máximo estarem juntos após 2 anos e meio, tenho a impressão que se tivesse arriscado também o meu estado civil seria diferente, mas esta coisa denominada por 'amor' é difícil...