domingo, 11 de dezembro de 2011

Cartaz das Artes

Amanhã vou ver o Macbeth com o José Raposo no papel de próprio Macbeth, na Casa Conveniente. Já estava dividida quanto a este programa porque associo-o aquele papel em que ele geria uma pensão cheia de habitantes curiosos, sempre metidos em mil e uma peripécias que faziam os meus avós rirem-se às gargalhadas naqueles serões da minha infância passados à lareira da casa deles. Mais recentemente - e tendo a perfeita noção que isto é uma opinião ultrapassada de se ter e que devia dizer algo do genéro "ah o amor não escolhe idades!" - tenho de admitir que aquele casamento com uma miúda quase trinta anos mais nova arrepiou-me assim um pouco. Isto é o superficial dos meus receios, o núcleo reside em reconhecer que Shakespeare não é para todos e não sei se será para mim. Não tenho o desenvolvimento necessário para ir ver uma peça de Shakespeare e sequer intuir todas as camadas de profundidade ali implícitas. Descobri entretanto que tinha ainda mais razões para ficar preocupada. A peça pretende ter aquele cunho alternativo e inovador que fica tão mal em determinadas obras que asseguraram os pedestais mais altos da criação artística humana - depois de ver digo-vos do que se trata e confirmo quase de certeza a minha antecipação de catástrofe. É claro que o meu cepticismo também está relacionado com a convicção que o momento alto cultural do meu fim-de-semana já foi. Hoje à noite na sessão da meia noite do Gato das Botas, no Dolce Vita Tejo.

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