quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

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Nunca fui aquele estilo de mulher que aguardava ansiosamente pelos saldos. Que ronda determinada peça durante meses ao jeito de ave de rapina para finalmente, após uma espera que parece sem fim e inúmeras vezes que se sai insastifeita com o que se leva vestido (porque se pensa "ah agora aquele casaco é que ficava aqui bem") , comprá-la cinco euros mais barata. Tenho muitos defeitos mas a forretice não é um deles e acredito que mereço tudo que o dinheiro que ganhei me permite comprar - por isso, durante anos, se via uma coisa, se gostava dela e se me gostava de ver com ela, trazia-a para casa nesse mesmo dia comigo. Simple as that. Acontece que - não sei se já sabem - estamos em crise. E além da crise generalizada que me leva o dinheiro através dos mesmos meios que leva a todos, tive este ano a minha crise pessoal originada por ter voltado a estudar e pelo meu conflito existencial-profissional que me levou a fazer alguns disparates acerca dos quais não me pronuncio. O que interessa para o tema em questão é que o desafogo não era o mesmo e sim, por força das circunstâncias também eu me tornei a mulher que já tem vergonha de entrar na Aldo porque sabe que os funcionários vão lançar um sorriso trocista porque adivinham que ela vai lá ver aquelas botas mas não as vai comprar. Sim, este ano esperei pelos saldos. E esperei pelos saldos para reafirmar que não sou uma mulher de esperar pelos saldos. As coisas bonitas desaparecem. As coisas pequenas desaparecem. As coisas bonitas e pequenas que já tinhamos visto e conseguimos reecontrar estão discretamente inseridas na Nova Colecção.

Não, não vou entregar-me à bílis, ver o lado positivo da coisa é o que profetizam para a felicidade ali ao virar da esquina. Sendo assim respiro fundo, sorrio e penso: ao menos não gastei dinheiro.

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