terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ah maravilha, acho que nunca vos disse que adoro o Natal

Pela primeira vez, desde que me lembro, este ano o Natal vai ser só passado com os meus pais, irmão, cunhada e gatos. Depois de um ano cheio de atritos familiares em várias facções a minha mãe decidiu, num rasgo de exaustão, "que não está para aturar hipocrisias" e que se está a borrifar para os outros vários graus de parentesco com quem nos costumamos reunir. A verdade é que tenho uma família conflituosa, facto explicável por serem na maioria benfiquistas ferrenhos e é inevitável sempre alguns desentendimentos mais ou menos descarados consoante estalem na mesa da sala de jantar ou se vá cochichar para a cozinha com o pretexto de levar os pratos. Dos momentos que ficaram para a posterioridade tenho a apontar quando o meu primo gay- mais- do- que- flagrante- aos- cinco -de- anos- de- idade se trancou na casa de banho porque a gata tinha roído durante a noite a mão da Barbie Fantasia recebida na Véspera; quando tentei explicar ao meu primo motard porque é que tinha sido condenado por ter aberto a cabeça um tipo  não sendo aplicável a legítima defesa e ele chamou-me  "chica-esperta" e a minha mãe, a defender a cria, respondeu-lhe "que ele nem tinha categoria para falar do tempo comigo quanto mais de Direito"; quando o meu outro primo pré-adolescente disse ao meu avô (careca) que devia provar da gelatina porque fortalecia o cabelo; ou a mais recente, passada no ano passado, quando a minha tia maldosa (todos nós temos uma, aquela que diz coisas do género "estás mais cheinha" ou "então, ainda não foi este ano que te casaste?") virou-se para mim, que tinha acabado a única relação séria que tive na vida com a única pessoa que gostei na vida há três semanas e diz-me "ah isso passa-te com uma terapia Reiki" (informação adicional: a filha dela estava a tirar um curso de Reiki...). E aí para não mandá-la para um sítio muito bonito, agarrei nas minhas coisas e vim para casa onde passei o dia de Natal sozinha a dormir.

Oh, a nostalgia. Ainda dizem que esta época só é mágica para as crianças.

3 comentários:

Maria Bê disse...

RBM,
As tuas palavras foram um bálsamo para a minha alma: não sou a única com uma família completamente disfuncional. A última saída da minha tia maldosa foi "a tua filha tem as pernas feias como as nossas" (apesar de magra tenho pernas de tornozelos grossos, parecem dois postezinhos e não há corridas ou caminhadas que lhes valham). Apeteceu-me trincá-la.
Vais ver que um Natal longe do conflito é o melhor dos Natais. Os meus só melhoraram quando os passei nos Estados Unidos (levei a coisa da distância mesmo a peito).
Um sorriso!

Sofia disse...

Não sou só eu que não gosto de Natal... :)

Filipe disse...

Haja alguém que, na blogosfera, não descreva um Natal perfeito. Julgava que todas as famílias se vestiam de vermelho e eram muito felizes nessa noite!