sábado, 12 de novembro de 2011

Odeio tomar decisões. Quando vou a um café e olho para a vitrine fico uns cinco minutos a olhar para o pastel de natal e para o jesuíta e quando finalmente escolho o pastel de nata, ainda estou a dar a primeira dentada e já estou arrependida a olhar para o outro que agora parece-me mais apetecível do que nunca, polvilhado de puro e fino açúcar. O pastel sabe-me então a velho, começo logo a desconfiar que se calhar nem é do dia e que caraças, penso, "fui logo enfiar sei lá quantas calorias para o bucho e nem me soube bem". Outras vezes penso que trajecto devo adoptar para ir do ponto "x" ao ponto "y". Escolho o autocarro por algo tão básico como ser directo e não ter de mudar de linha de metro mas depois quando fico presa no trânsito nas Amoreiras por causa dos paizinhos que vão buscar os meninos ao Liceu Francês, permito-me a um interior chorrilho de palavrões. Depois há aquelas circunstâncias em que não sei o que vestir; meto uns saltos e passadas umas horas tenho os pés em carne viva ou enfio um vestido e esqueço-me que depois de jantar começo a ficar inchada, tendo consecutivamente de andar de casaco apertado para que dali a uns anos, as pessoas não julguem que estava grávida nas fotografias. Exemplos banais para imaginarem agora como deve ser para mim tomar uma decisão daquelas sérias - se forem espertos, decerto perceberão que a dificuldade é tão grande que na maioria das vezes pura e simplesmente não as tomo e fico à espera que o futuro (sinónimo para "alguém") resolva tudo por mim. Tem resultado muito bem até agora, como também decerto perceberão. Hoje tomei uma decisão dessas, a contragosto, encurralada. O sentimento de azia é inexplicável e é posterior à decisão que diga-se, não foi muito pensada tal como optar pelo pastel de nata em vez do jesuíta; foi o que me pareceu certo na altura. O pior vem sempre depois, nos segundos automaticamente seguintes e por isso acho que devo reformular a minha primeira frase deste texto: não odeio tomar decisões, odeio viver com as consequências destas. Como qualquer bom ser imaturo digno desse honroso título.

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