quarta-feira, 16 de novembro de 2011


O eterno desafio de quem tem gatos não é obviamente ter uma casa apresentável, porque sabemos que já houve uma transferência da posse desta: a mantinha do sofá que servia para nos aquecer nos serões frios, está agora em cima do cadeirão onde a Gata Ariel se deita e que por causa disso ninguém mais utiliza (leia-se a manta e o cadeirão); o Gato Gaspar senta-se no meu lugar à mesa e quando o tento mandar para o chão, ele finca as patas na cadeira como quem diz "estava aqui primeirooooo, esse peito de frango devia ser meeeeuuuuu"; raras não são as noites em que me quero ir deitar e deparo-me com o Gato Tobias encostado às minhas almofadas, como o maior dos princípes no seu reposteiro à espera de ser servido; a Gata Cher, essa, descobri recentemente que é a que me abre as gavetas e rouba-me os elásticos do cabelo para escondê-los debaixo do sofá. Não, esta casa já não me pertence, pago a estadia com os sacões de ração e latas de paté, cestos almofadados com cobertas lavadas espalhadas em lugares estratégicos nos quais eles se aninham mirando-nos com os olhos deliciados semi-cerrados de altivez. O eterno desafio de quem tem gatos não é obviamente ter uma casa que pareça não ser habitada por animais; o eterno desafio é vestir uma roupa preta e sair para a rua sem parecer um panda, tal a quantidade de pélos clarinhos que se leva anexados e que vão provocando alergia às pessoas mais vulneráveis com quem nos vamos cruzando.

2 comentários:

Pink World Fabuloutin disse...

Lol... este post acabou de salvar o vadiolas cá de casa de voltar para o jardim de Algés onde o encontrei... ontem precisava dum elástico para o cabelo e dos 30 que comprei n vejo nem um... sei bem q estão todos debaixo do sommier e do sofá mas n tenho força para levantar nenhum dos 2!!! :|

Fuschia disse...

Ah os 10 min que eu perdia a tirar os pelos das calças, para chegar à rua e descobrir que estava lá tudo na mesma.