terça-feira, 22 de novembro de 2011

Momentos altos do dia de hoje que não resisto a partilhar

- Planeava acordar cedo, só para manter os hábitos salutares de gente não calona mas quando ouvi o despertador ouvi também o vento e a chuva a baterem violentamente nos estores. Mesmo assim levantei-me - eram oito e pouco - fui à cozinha de robe vestido, fiz umas torradas e um chá, enquanto olhava desconsoladamente pela janela numa observação desinteressada do trânsito caótico matinal. Na verdade, não tinha nada de urgente para fazer, a minha to do list podia ser toda adiada umas horas sem qualquer dano de maior e por isso mesmo, depois de acabar de encher a barriguinha, voltei para a cama. Acordei às dez para ao meio dia e essas horas da manhã entregues ao mundo onírico representaram o pico qualitativo do meu dia.

- Fui à minha antiga faculdade. Nos pátios exteriores, nos quais durante cinco anos de licenciatura entrei para aí uma três vezes, fizeram uma enorme esplanada, agora coberta. O bar velho, onde passava as horas em que devia estar na aulas mas não estava e onde hoje fui tomar café, transformou-se num "espaço gourmet". Ainda estava pasma a reparar nos detalhes do extreme make over decorativo a que aqueles metros quadrados foram sujeitos, quando reparei que num pequeno balcão à vista de todos, um cozinheiro ( vestido a rigor) amassava aquilo que se tornariam pequenas pizzas caseiras. No meu tempo, haviam croissants com um fiambre tão velho e seco que as pessoas de fora chegavam lá e achavam que aquilo era presunto. Ou panados, confeccionados logo às oito da manhã, quando uma pessoa chegava para a primeira aula e ficava logo com o cheiro a fritos entranhado, preço demasiado elevado para a primeira dose diária de cafeína que contudo era tão necessária. A sopa era sempre caldo verde, hoje era um creme de espinafres e não sei mais o quê. O café aumentou quinze cêntimos.

- Fui para a biblioteca e tirei tantas fotocópias que acho que fiquei com as habilitações necessárias para abrir uma repografia - desde que obviamente os clientes fizessem vista larga às margens cortadas aqui e ali. Um rapaz com um ar muito novo e perdido veio-me pedir ajuda para lhe recarregar o cartão e mostrar-lhe como a máquina funcionava. Ao longo deste processo de aprendizagem extrema - só fazia asneiras que obrigavam a pedir-me ajuda de cinco em cinco minutos- apercebi-me que ele tratava-me por você. Supostamente já não tenho um ar suficientemente jovem e cool para que um caloiro pudesse cair no equívoco de me tomar por colega dele. Nota mental: apostar num bom creme anti-envelhecimento e se não resultar, voltar a vestir roupa da Berskha.

- Farta de lá estar, decidi acabar de recolher o que precisava amanhã. Estava tão aliviada com a minha decisão que saí precipitada com o meu molho fotocopiado de folhas e apontamentos, que nem reparei que lá enfiada no meio vinha uma monografia. Na porta o alarme disparou, toda a gente olhou, vi ainda alguns sorrisos trocistas prontos a julgar. É sempre bom passar por ladra numa faculdade que tem por todo o lado avisos para não se abandonar valores de modo a dificultar a tarefa dos amigos do alheio.

- No metro sentei-me à frente de uma rapariga para aí da minha idade, de cabelinho bem esticado, piercing no lábio e unhas daquele género com que eu gozei há uns post atrás e que fez com que me mandassem para um sítio acabado em "alho". Mexia freneticamente no iPhone recente. Quando este toca e ela sorri ao ver quem lhe liga, percebo que dos quatro dentes da frente, já só existem três. Desses três, dois estão completamente podres. O que sobra está só meio estragado. Fico deliciada porque saber que há gente tão preocupada em ter o cabelo bem liso, as garras enfeitadas  e tecnologia de última ponta mas que não sabe o que é higiene/saúde oral. Depois percebi que falava com o namorado; tive um arrepio de terror ao fazer um esboço mental do estilo de homem que aceitaria beijar uma boca daquelas.

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