sábado, 12 de novembro de 2011

Fui ao cinema então para me lembrar porque é que deixei de ir ao cinema e tornei-me fã do "home cinema". Sala incrivelmente cheia como sinónimo de lugares maus se não estiver lá com trinta e cinco minutos de antecedência, que obviamente não estive porque fui jantar antes. Logo nas primeiras cenas do filme há um episódio com piada e as pessoas riem-se à gargalhada - é daquelas situações que é só suposto ser engraçada e quanto muito sorrimos mas há gente que solta risos alarves para que todos fiquem certos que eles têm percepção e sensibilidade suficientes para reparar no apontamento cómico.  A minha tolerância à raça humana começa a decair a pique. A meio começo a ter vontade de fazer xixi. Aguento no início porque a vontade não era muita, quando fico mais aflita penso que o filme já deve estar perto de acabar. Depois de vários momentos em que acho que o fim estava perto e não estava, saio finalmente para ir à casa-de-banho. Volto depois aliviada e pronta para mais meia-hora de película. Sento-me, assisto a mais uns segundos e quando o ecrã fica todo preto com os nomes do cast, tenho vontade de desatar à asneirada tal são as saudades do botão de "STOP" do comando cá de casa. Pergunto-lhe o que tinha acontecido  e ele que tinha ido ver o filme mais do que contrariado e que já estava com o ar mais satisfeito que tinha-lhe visto no serão inteiro, a levantar-se, disse-me "achas que perdeste alguma coisa de jeito?". No resto da sala as pessoas batiam palmas, como se o Lars estivesse lá para fazer uma vénia e agradecer o gesto.

Vim para casa comer castanhas a pensar em coisas giras como o fim do mundo.