quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ao princípio da noite cheguei a casa mesmo a tempo de ouvir uma conversa entre a minha mãe e uma vizinha, no meu átrio de entrada. A vizinha falava do seu filho, um miúdo enfezado e meio amarelo, com um nome infeliz. Queixava-se que estava numa fase terrível de esquisitices com a alimentação e que ela já tinha desistido de tentar diversificar a mesma além dos nuggets e douradinhos com arroz de manteiga, únicos pitéus que a criança come sem conflitos. Para justificar a sua desistência perante as observações de espanto da minha própria progenitora, acrescenta que ele é muito vulnerável e agonia-se com facilidade - e para exemplificar conta que mais do que uma vez, ao levá-lo de manhã ao infantário ainda com a papa do pequeno-almoço caída de fresco no estômago, ele começa com vómitos ao ver cocó de cão na rua. Oiço aquilo tudo meio perplexa, na incapacidade de conciliar aquelas histórias com a visão - não isolada - que já tive do mesmo miúdo a tirar e a comer macacos do nariz. Crianças, mais enigmáticas do que a Esfinge.

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