segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Trick-or-Treat

A minha opinião acerca do Halloween é em muito semelhante à do Carnaval, com a agravante que esta festa ainda evidencia mais a estupidez do português, alvo perfeito para todo o tipo de engodo importado com a finalidade única de lhe sacar dinheiro. Qualquer pessoa com mais de dez anos e quociente intelectual dentro da normalidade sentir-se-á inibido em vestir roupas que o fazem parecer um idiota. Pessoalmente, para indumentárias assustadoras bastou-me o período em que trabalhei numa sociedade e que tinha diariamente de me vestir de advogada. Mas isto sou eu, tradicionalista, que não esqueço que por estas bandas este feriado não devia servir para ressacar dos shots empurrados para o fundo da goela por uma barmaid vestida de  Malévola versão porno mas sim para se ir ao cemitério pela manhã, trocar as flores artificiais com pingos de orvalho falso por um raminho comprado às velhotas floristas que se amontoam à porta nesse dia, felizes da vida por haver tanta gente com conhecidos mortos. Apesar do meu desdém, ficam aqui os meus conselhos práticos para o Halloween:

Para os Pais: calculo que a habitação em propriedade horizontal transmita um certo conforto; as crianças sobem ou descem as escadas, não saem para a rua e vocês aproveitam para ver relaxados o episódio da Rosa Brava. Todavia, somos um país com um já alto historial de tarados:  um estripador que nunca foi apanhado nos anos 80; um violador em série; pedófilos de fazer os belgas parecerem uns meninos. Pensem que se calhar o respeitoso engenheiro do 3ª Frente não é um "solteirão" por acaso.

Para Eles:  a máscara de boca deformada do Screams conjugada com um kispo almofadado ou com a capa do traje académico não vos fazer parecer assustadores. Só forretas. E foleiros.

Para Elas: se têm peso a mais, enfiarem-se dentro de umas leggings de lycra a imitar pele não vos vai fazer parecer uma Sexy Kitten. Só balofas. E desesperadas.

[contudo, só para que não achem que sou uma espécie de Grinch da Noite das Bruxas, vou ali ver um filme de terror, de preferência um que envolva uma maldição haitiana; fantasmas arreliados; um assassino com motosserra; sim quero tudo à mistura, dispenso apenas as tipas ordinárias a serem esfaqueadas entre as mamas enormes, como aparece sempre nos filmes do Rob Zombie. E vou levar a minha gata preta para ao pé de mim, que coitada, não consegue pôr respeito a ninguém pelo comicidade do seu ligeiro estrabismo e da infelicidade que a baptizou de Cher. É o que temos.].

2 comentários:

Piston disse...

O estripador de Lisboa desenvolveu as suas actividades lúdicas já na década de 90.
Foi identificado pela PJ mas faleceu antes mesmo de ser acusado.

Don Draper disse...

adorei o pormenor do pedofilo ser engenheiro.