terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ontem ao fim da tarde estava no ginásio a correr quando tive uma caibrã colossal na perna direita. Tive de parar a máquina em modo de urgência e comecei a gemer baixinho agarrada à perna, enquanto dava uns saltinhos rídiculos para manter o equilíbrio só na perna esquerda. A duas passadeiras de distância, o J. também corria e mal se apercebeu da situação, saltou também da dele e veio ter comigo, preocupado, "estás bem, estás bem? magoaste-te?. Agora uma breve explicitação, o J., é um dos instrutores do ginásio e é um daqueles raros homens a quem eu não mudava o que quer que fosse. Um absoluto devaneio, alto, morenaço, todo tonificado mas sem aquele excesso que se torna nojento, uma cara de puto malandro aos trinta anos que derrete qualquer uma, um sorriso alinhadíssimo e branco, um 10/10 total, um sonho, uma maravilha da genética. No Verão quando o apanhava na piscina, de calções justos, cometia a baixeza de utilizar os truque dos óculos escuros para olhar gulosamente à descarada. Ontem, então ele foi  buscar um colchão, obrigou-me a sentar lá e começou a massajar-me a zona afectada. Em primeiro lugar, dei graças a Deus por me ter dado na cabeça ter vestido as calças de lycra preta da Nike, que apertam tudo e deixam-me a sentir sexy - e que não fazem mais do que a sua obrigação tendo em conta o que me custaram- em vez daquelas largueironas de algodão coçado das lavagens da SportZone. Parece que adivinhei, pensei eu. Depois abstrai-me dessas interiorizações e aproveitei o momento. "Ainda te está a doer?" perguntou-me ele, com um ar profissional. Se está a doer? pensei eu,  já não dói há sei lá quanto tempo, agora a minha preocupação é não corar e não demonstrar que estou a ficar "animada" com o que facto de me estares a tocar, ainda que no gémeo. Fiz antes um ar ligeiramente sofrido para dar a entender que sim, que ainda havia desconforto, que azar, que pena, preferia tanto estar ali a correr em vez de estar para aqui com um gajo altamente orgásmico a mexer-me e dar-me atenção. Infelizmente, o que é bom sempre chega ao fim, ele ajudou-me a levantar, ainda me amparei a ele e apalpei aqueles bíceps como quem não quer coisa, enquanto ouvia recomendações para um resto de treino sem percalços. Passados 45 minutos mais ou menos, estava na aula dele de Localizada. Durante todo o tempo ele olhava para mim e sorria-me e mandava-me piscadelas cúmplices, que levavam as outras mulheres e os brasileiros gays, a olharem para trás numa tentativa de descobrirem a quem era dirigida toda aquela simpatia. Com tanta coisa, ainda ficaram a pensar que ando a dormir com ele. Não faz mal, com um homem daqueles não podemos dizer que tenha ficado com má fama.

2 comentários:

Don Draper disse...

técnica mais antiga de sempre!

Sara disse...

E é pela possibilidade de ocorrência de momentos desses, que tenho saudades desse ginásio.:D