domingo, 2 de outubro de 2011

Na noite passada dormi pessimamente, senti-me vítima de um castigo divino. Após tanto tempo a queixar-me pelo assombro das insónias quando finalmente durmo tenho sonhos esquisitos, histórias partidas, coisas desconexadas com imagens perturbadoras tipo a cena do olho vazado do Un Chien Andalou. Quando acordo tenho aquela sensação desesperante de cansaço injustificado, moída fisicamente, desgastada mental e emocionalmente. Não sou capaz de fazer muito por casa, penso e ao início da tarde pego num livro decidida a estender-me de papo para o ar ao ar livre. O Domingo é o dia das ambiguidades de estado de espírito por excelência: se vemos as famílias divertidas a jogar à bola com a mãe inevitavelmente à baliza improvisada, as crianças a rirem-se e a gritar enquanto andam de bicicleta; vemos também, no outro lado, aqueles que como eu se refugiam numas páginas, no Ipod, no jogging. Observo tudo, antes de entrar na leitura, penso nas pessoas que me dizem com redobrada frequência nos últimos tempos que estou antipática, seca, arrogante e em como aceito todas essas catalogações, porque não quero dizer que na verdade estou só triste. Há uma hora atrás cheguei a casa, com o romance de 254 páginas todo lido hoje. É um clássico meu, esta concentração avassaladora numa determinada tarefa quando não quero pensar no que me chateia. Solidão, ao menos tu fazes-me companhia.

3 comentários:

Isa disse...

adorei e leste-me o pensamento, total, com a última frase.

adorei a catalogação dos domingos, pqp o domingo...
bjo

Isa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
o anão gigante disse...

As pessoas que não sabem aproveitar o Domingo para dormir deviam saltar de Sábado para Segunda.