quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Non-sense

Estou um caos. Não faço a menor ideia do que ando a fazer mas também não me sinto com grande alternativa face a outras ocasiões em que achava que sabia tudo muito bem e que afinal foi-se a ver que não. Deixemos andar, certo. O mundo exterior é o reflexo do interior: o meu quarto parece uma cela de manicómio, entre o trabalho que finalmente arrancou para a porra da tese e o ritmo parvo que voltei a ganhar na leitura, tenho a secretária e o chão cheio de dossiers de doutrina/jurisprudência e romances clássicos. Um dos meus gatos, na minha ausência, entrou aqui abriu a minha gaveta de roupa interior e tirou tudo cá para fora, provavelmente para se deitar lá dentro, e ainda não tive coragem para arrumar aquilo. Durmo pouco de novo, num estado ambíguo que reflecte aquela simbiose confusa de excitação e medo do desconhecido; lembro-me que devemos ter sempre cuidado com o que desejamos e Meu Deus, como eu desejei isto. Prometi  a mim mesma que não deveria escrever mais nada de pessoal aqui e venho aqui fazê-lo porque as alternativas seriam:

- videos caseiros de animais e crianças em situações comprometedoras mas mesmo assim divertidas;
- fotografias de gatinhos;
- análises pseudo da actualidade;
- piadas pseudo da actualidade;
- trechos introspectivos do José Luís Peixoto;
- receitas culinárias retiradas dos destacáveis da revista Telenovelas e do panfletos do Pingo Doce.

Não sou uma pessoa criativa e sinto-me mal a gozar com os outros. Só sobro mesmo eu como objecto bruto de extenuante auto-riso.

1 comentário:

Sofia disse...

Querida RBM, se não usares o teu blog para desabafar, vais fazê-lo onde? A malta que te lê (e falo por mim) partilha os teus receios, os teus momentos bons e menos bons. Usa-nos à vontade.
Deixa andar, vais ver que daqui a uns tempos te sentirás melhor. Beijinho!