sábado, 1 de outubro de 2011

Digam-me o que disserem a melhor noite de Lisboa continua a ser, na minha pacata e nada relevante opinião, sangria e vinho tinto (intercalados com shots de tequilla) no Bairro até às 3.30 da manhã, hora em que rumamos para queimar os últimos neurónios e neuras no Lux. Por volta das 6.15 já estamos sentados cá fora, a beber o que resta do whisky - cola, a fumar o último ou o primeiro cigarro da noite conforme a natureza e o hábito e iniciamos a típica conversa de alcoolizado. Amamo-nos, somos lindos, vamos ser amigos para sempre, há abraços e beijinhos cúmplices, lamechices, pieguices, lágrimas que aparecem sabe-se lá de onde. O X., meu melhor amigo há treze anos, desaparece para aparecer cinco minutos depois com um saco gigante do lixo e diz-me com um ar sério: "ouve lá, pensa que isto é o Y. O que é que lhe fazias?". E eu, que estava a beber continuamente há seis horas, que estava (estou ) deprimida e ando fazer-me de forte, desato do nada ao pontapé aquilo até rebentar e todos nós testemunharmos uma explosão de resíduos porcos ali à beira-rio. Primeiramente fico chocada, porque sempre fui uma pessoa consciente com estas cenas do ambiente mas depois não consigo controlar-me e desato a rir porque tudo parece-me excelentemente metafórico. Arrasto-me um pouco pelo passeio, depois arrasto-me para um táxi. Chego a casa, tomo um duche para me livrar do peçonhento cheiro a álcool e tabaco que não quero que empeste o meu quarto, bebo um sumo de ananás e como uma torrada. Escrevo este post que vocês agora lêem e penso naquele velho mote "beber para esquecer". Hoje levei-o demasiado a sério, é certo que quando acordar daqui a oito, nove horas, não me vou lembrar de nada.

2 comentários:

Sofia disse...

Fónix, para bêbada escreves muito certinho. Eu fui para os copos ontem e nem sei como estou a conseguir escrever estas 3 linhas...

Sara disse...

E que bem que sabem de vez em quando esses actos deliciosamente catárticos e metafóricos a que só nos permitimos depois de muitas horas de copos e com aqueles amigos que sabemos que nunca nos vão julgar. Há ressacas lixadas, mas que no fundo valem a pena.:)