quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Como é possível ir para a cama e deitar-me, adormecer, eventualmente sonhar, sem esta pontada sufocante de culpa? Alguém com mais prática ou menos consciência - quero lá saber da habilitação, procuro estritamente a eficácia de resultados - que por favor diga-me, como ignorar o gosto acre a má pessoa, a ingrata, a mal-agradecida com a sorte, os Astros, Deus, o Destino, com a puta que os pariu a todos. Quero livrar-me deste feeling de cretinice que já nem sei onde termina para começar o eu. Como esquecer que a minha recém-descoberta impertinência e teimosia disfarçadas de atitude defensiva justificada levou a pessoa mais importante da minha vida a dizer-me, "com isto, partes-me o coração." Como explicar que aquelas palavras, daquela boca, partiram também o meu?

2 comentários:

ME disse...

Sabes aquelas pessoas que vivem ao pé de uma lixeira e que passado uns tempos já se habituaram ao cheiro e já nao o sentem?
É mais ou menos isso, passar nao passa mas às tantas deixas de sentir...

Luis Gaspar disse...

...to sleep - to sleep, perchance to dream. ay, there's the rub.