sábado, 10 de setembro de 2011

Família e sucessões - turma de 2006/2007

À porta de um bar gay no Bairro Alto, um homem, trintão avançado, puxa-me para conversar com ele. Começa a falar comigo em inglês, prática que continua mesmo depois de eu ter dito que era portuguesa. Está no ponto de rebuçado que se atinge quando o efeito dos primeiros copos começa a bater e além de não parar de falar, está naquele estado idiota que os homens adoptam na noite, quando acham que são engraçados e muito charmosos quando na verdade se estão a sujeitar a uma figura apalhaçada. Pergunta-me o que é que "uma miúda como eu está ali a fazer" ao que eu respondo "beber um copo". "Olha", continuou ele agora num tom forçadamente intimista, "que ali dentro são só gays, só para te avisar". Continuamos a falar, ele sempre incrivelmente sorridente, cheio de piadolas a olhar de soslaio para os amigos que estavam ali perto a acompanhar a cena. Conversei com ele, acerca se era adequado ou não uma menina como eu entrar no tal bar gay durante uns bons minutos, até que já farta de tanto gozo observei em voz bem alta para que toda a gente pudesse ouvir, "sabe, isto está a tornar-se embaraçoso". Ele mesmo muito divertido com a situação, pergunta-me o óbvio, "então porquê?". E eu aí tenho de lhe dizer o que contive desde o momento em que ele me puxou para falarmos, "é que você foi meu professor na faculdade".

4 comentários:

Don Draper disse...

que turn off.

david disse...

aqueles homens também têm de ser de ferro. é sobejamente conhecido que a fdl tem a maior taxa de gaja boa por metro quadrado no universo académico. até arrumam com as do ISPA.

Sara disse...

Foi sem dúvida um dos momentos altos da noite (so comparável aos gladiadores e ao super-homem que viemos a conhecer mais tarde :p)! :)

krasiva disse...

lol...muito bom ;)