terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nocturnos II

Falo como sempre com o meu amigo das conversas tardias, companheiro de insónias e sonos trocados pelas férias escolares/ laborais. Ele fala, em tom crítico, meio moralista, meio curioso, acerca de outro tipo que designa como "um real cabrão". Eu leio atentamente o que ele me conta, e honestamente, já nada me surpreende, são tantos anos e anos a ouvir histórias macabras e sinistras de desgostos, desencontros e encornanços, que deixo escapar imprudentemente "deixa lá, que eles são bons é assim." A afirmação infeliz não passa despercebida e sou espremida para desenvolver o tema. A custo lá explano a minha teoria, que ao longo dos tempos fez a maioria das minhas amigas abanarem a cabeça condescendentemente enquanto me diziam "depois vem cá chorar". Então um homem para ser interessante, melhor, excitante, tem de ter obrigatoriamente anexado um grau de risco - este é a probabilidade, na maioria das vezes elevada, de nos magoar irreversivelmente ou de a qualquer momento nos surpreender com uma filha-da-putice que não lembra ao diabo. Denoto alguma perplexidade no meu amigo, que incrédulo pergunta "se as gajas gostam disso." Eu continuo, contente, delirante, "Claro que gostam. Eu gosto. Agora aqueles bananões que uma pessoa faz deles o quer...qual é a graça disso!". O acesso de loucura temporária acabou aqui e eu pensei que tinha cometido um erro terrível - este meu amigo, diga-se de passagem é dos poucos tipos decentes que conheço, luta com as tentações da carne como todo o humano e com as disparidades do mercado da oferta que facultam sete mulheres para cada homem, mas transpira integridade e tem uma miúda espectacular. Senti-me culpada - ainda estou a aprender a lidar com a minha capacidade para arruinar as minhas relações, estou lá preparada para lidar com o fiasco dos outros. Tentei voltar atrás subtilmente, mas ele já ia lançado a dar a sua opinião sobre o assunto e eu achava que já tinha estragado o homem para todo o sempre quando ele, em desabafo desesperado, replicou "..eu não sou ganancioso. Não quero as gajas todas para mim, lol. Vejo gajos que andam com miúdas cinco estrelas e que mesmo assim metem-se com outras só pela funçaguisse, tenho de ter as gajas todas boas para mim, arrrgghhh". E eu pensei, estou salva, os homens estão salvos, há esperança na espécie.

6 comentários:

Don disse...

não sei quem sou esse gajo.

RBM disse...

se era para te vires acusar assim, podia ter usado nomes e datas. :P

Sara disse...

Ufa, se calhar ainda há esperança, afinal...

Xuxi disse...

Lamento informar mas este seu português é muito sofrível.

RBM disse...

Não lamente, deixe lá estar.

david disse...

Xuxi, confesso que depois do seu comentário fiquei com curiosidade de ler o seu blogue. Em vez de dispensar tanto tempo à crítica de terceiros, se calhar dedicava-se um pouco à auto. Evitavam-se algumas figuras tristes.