terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lost in Translation

O meu orientador que além de ser um jurista excepcional é também - descobri agora - um cómico de primeira, mandou-me um email que dizia: "deparei-me com  isto acerca de um caso e achei que poderia ser relevante para o seu tema. Dê-me depois o seu feedback." Eu abri a pasta que vinha em anexo e levei com uma série de jurisprudência em alemão. Tive um arrepio automático mas também tive vergonha na cara de admitir prontamente ao homem que  se o meu alemão era bastante razoável há oito anos atrás quando tinha aulas duas vezes por semana, hoje em dia resume-se sucintamente ao suficiente para ir a um restaurante e dizer qualquer do género "Ich nehme einen Schweinenbraten mit pommes frites und einen orangensaft, bitte." Ser optimista não é o meu traço mais vincado mas de vez em quando lá tenho os meus rasgos e tentei convencer-me que os conhecimentos linguísticos seriam como andar de bicicleta e aventurei-me na leitura daquilo. Resultado: acagacei-me toda quando deparei-me logo no resumo com uma referência ao "Offene Tatbestände und Rechtspflichtmerkmale" de Roxin, mas fiz-me de forte, muni-me de três bons dicionários de alemão (que não me foram assim tão úteis porque vocabulário técnico-jurídico é para esquecer) e só demorei cerca de 3 horas e tal para decifrar onze páginas.

O triste da situação é que nem tenho a certeza se percebi bem metade, porque há muitas coisas que não me fazem sentido e prefiro duvidar dos dotes linguísticos do que da minha intuição jurídica, sem a qual não sou nada e que já me safou em tanto exame e oral para os quais não tinha estudado. Mais triste do que isto é o facto de a merda da pasta ter vinte e um acórdãos e eu só li um.

Sem comentários: