sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Causa Perdida

Depois daquele período tipíco e previsível da hipersensibilidade, seguiu-se outro, este novo e então desconhecido, o apático. Se primeiramente evitei ouvir determinadas músicas, ver certos filmes ou séries que ambos gostávamos e víamos juntos, ler livros que adivinhava que iam por o dedo numa ferida que doía só por si própria, depois com passar do tempo e com o regresso progressivo mas lento à antiga vida que tinha deixado por ele, as coisas deixaram realmente de me importar. Isto não representa nenhum progresso ou evolução positiva - como em tudo o resto, também na emocionalidade a virtude estará algures lá pelo meio. Ser amputada a nível sentimental é bastante mais cómodo mas não tem nada de saudável. Apesar de ter esta noção não é algo que me preocupe, sou mais objectiva na apreciação das coisas, e acima de tudo sei que isto não passa de outra fase -  eventualmente, voltarei a ser eu, tenho fé nisso. Porém, ontem mostraram-me a seguinte música e à medida que fui embalada pela melodia e ia descortinando a letra deixei escapar umas, vá muitas, lágrimas. Diga-se em jeito de defesa, que ao longo do serão já tinha estado a travar conhecimento com uma litrosa e que assim fica-se automaticamente com os sentimentos mais à flor da pele. Pois, chorei. A questão já não é ele, o facto de já não o ter, nem é nada disso. É a tremenda desilusão comigo mesma, por não ser uma pessoa que se dedique ou se entusiasme com facilidade, metade alienada, metade amorfa e ter-me entregue visceralmente, num desperdício absoluto de forças, tempo e saúde, a algo que desde cedo se tornou numa causa perdida.


7 comentários:

Piston disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Piston disse...

Não és a primeira e não serás a última. É um daqueles inconvenientes associados à existência.

Isa disse...

5 stages of grief. faz parte, é assim. e não, não queiras ser uma daquelas pessoas que não faz luto das coisas, normalmente acaba mal e é pro lado dela...
Bjo

Pink World Fabuloutin disse...

É uma fase e faz parte... em vez de desiludida devias-te sentir orgulhosa... nada como passar por todas as fases para voltar à vida em grande... aqueles q se entusiasmam com tudo são os que depois sofrem grandes desilusões mas do mesmo modo que se estão sempre a entusiasmar também se estão sempre a desiludir... com o tempo deixam de acreditar nas ilusões e acham que a vida é uma desilusão... ao atravessares todas as fases mais tarde ou mais cedo voltas a ser tu... só que mais forte!!! ;)

E diga-se a bem da verdade que o tempo ontem também não ajudou...

Piston disse...

Pink, "aqueles q se entusiasmam com tudo são" felizes muito mais vezes!

Quanto mais simples melhor.

Pink World Fabuloutin disse...

No que diz respeito ao amor não concordo... passam a vida a escorregar e depois deixam de acreditar nele... não se curam amores com outros amores... no que diz respeito à vida em geral não poderia estar mais de acordo! ;)

Piston disse...

Não concordo. Acho que o potencial de desilusão é o mesmo.