quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Do fim da melancolia

Eu sou mais machista que a maioria dos homens que conheço, apesar de ser também, paradoxalmente incrivelmente feminina a um nível bicha. As minhas idiossincracias e as minhas assimetrias são o que levam as pessoas que me conhecem ou a ficarem encantadas comigo ou a acharem que sofro de uma doença psiquiátrica - ambas as situações acontecem com alguma frequência, não sei concluir se felizmente ou infelizmente, ou se atingem um determinado equilíbrio e acabam assim, consecutiva e logicamente a anular o efeito do outro efeito. Esta história do machismo no feminino não vem assim do nada, só para vos dar o cheirinho da autobiografia que hei-de escrever, obviamente quando voltar a estar seriamente deprimida, antecipo eu lá por alturas de uma licença de parto. Ainda hoje via a Oprah a falar com Barbra Streisand e pensava que estavam ali duas mulheres, cada uma na sua área que eram fortes e seguras e tinham construído uma carreira séria e ganharam assim admiração e respeito. Nada daquilo me atrai, ou melhor, provoca-me inveja - em algum momento penso que adorava ser aquele estilo de mulher. Penso na literatura e em como só há duas mulheres que realmente adoro ler e que considero geniais - a Sylvia Plath e a Virginia Woolf - em comparação pelo menos com uma dúzia de autores homens. As duas eram clinicamente deprimidas e mataram-se ainda bastante novas. O que se retira daqui é que o que me fascina, o que me comove é a sanidade latente dos maiores loucos - os que dizem as maiores verdades porque não têm nada a perder; diluindo-se a barreira do socialmente correcto de pensar e expressar, chegam realmente às pessoas, às coisas secretas que todos nós, humanos no sentido de em algum ponto da nossa existência darmo-nos ao trabalho de ter uma crise, pensamos. Gente equilibrada e resolvida, bom para elas, eu pessoalmente não gosto. Tudo isto para explicar a falta quantitativa e qualitativa de posts. Adorava pregar um treta de excesso trabalho e merdas e tal, mas a verdade é que estando bem, não tenho vontade em escrever. Talvez pelo tal preconceito, pela tal associação das amarguras aos bons escritores. O que é uma pena, uma imensa lacuna criativa e de talento da minha parte, mas nunca vendi nem prometi versatilidade ou perfeição. Repito, é uma imensa pena, porque gostava muito de ser capaz de expressar a felicidade e alegria da mesma forma que era capaz de expressar a tristeza e misantropia. Por enquanto, não sou.

3 comentários:

Sara disse...

Bem sei que sou suspeita porque à Sylvia e à Virginia só as conheço das páginas que escrevem e a ti já há uns anos valentes, mas pessoalmente prefiro assim: deixar as palavras brilhantes, sofredoras e torturadas para elas e a ti ver-te bem, mesmo que a escrever menos.:)

RBM disse...

So sweet, my dear Sara :)

Isa disse...

as pessoas equilibradas e resolvidas são exatamente as que em vários momentos da existência se dão ao trabalho de ter crises, chorar e pensar.

adorei o comentário da Sara :)

Bjo