terça-feira, 26 de julho de 2011

Tenho uma amiga no Facebook que entre fotos de cortes de cabelo que quer fazer e de carros topo de gama, de vez em quando mete uma citação de alguém, que muitas das vezes julgo que até não conhece. Estamos a falar de alguém que adorava o Brida e que das várias vezes que andei no carro dele fui brindada com uma banda sonora de luxo que começava no Boss AC e acabava num mix de música cigana desencantado não sei onde. Eu sou uma pessoa séria, de formação jurídica, e se há coisa que levo a sério são as citações e as notas de rodapé, por isso não consigo deixar de sentir uma certa repulsa quando me deparo com uma citação conhecidíssima e genial do Oscar Wilde escarrapachada na minha página inicial emparelhada com a fotografiazinha dela. Como já se não bastasse, minutos depois aparece o namorado dela que comenta com um "Lol". "Lol" é aquele tipo de coisas que pomos numa conversa quando estamos aborrecidos e queremos dar a entender que estamos a acompanhar alguma coisa e estamos presentes e com atenção e então pomos "Lol" para podermos estar calados nos dez minutos seguintes. Não é o adequado para se usar numa citação do Oscar Wilde, acho eu.  Confusa, pensei então em dizer o que "tem tanta graça, A.? Diz-me, é o facto de Oscar Wilde, um dos maiores pensadores do século XIX da moral, da estética, do dandaísmo ter acabado arruinado por um adolescente e ter morrido na miséria cheio de menigininte, sifílis e outras doenças da moda? É que de facto isso tem muita graça, eu própria penso nisso algumas vezes sozinha e tenho dificuldade em conter o riso. Ou é pelo facto de os espanhóis traduzirem "The importance of being Earnest" para "La importancia de ser Ernesto", tipo desvirtuando a piada que o trocadilho do título original tem. Ou é porque achas machista que ele tenha escrito uma peça chamada o "Homem ideal" e outra chamada "A mulher imperfeita"? De facto o tema da mulher na obra de Oscar Wilde é controverso, qual é a tua opinião nisso? É disso que te estavas a rir?". Mas depois penso que se continuar a enervar-me tanto por causa destas coisas vou morrer cedo e não quero morrer. Por isso, faço uma festinha imaginária na cabecinha daqueles dois e finjo que acredito que eles são bué intelectuais. E sinto-me uma boa pessoa.

1 comentário:

Sara disse...

"Festinha imaginária na cabeça" é definitivamente o caminho a seguir. Porque esse tipo de pessoas não merecem que desperdices o teu intelecto a desconstruir os seus "lol's" despropositados, até porque não teriam capacidade para apanhar a finesse da tua ironia.