terça-feira, 19 de julho de 2011

Também

A maior injustiça não é culparmos alguém pela nossa infelicidade - que é o que fazemos com mais frequência, porque fomos deixados, porque nos desiludiram ou magoaram-nos, genericamente, seja lá de que forma ou através de que método. A maior injustiça que fazemos a alguém que dizemos amar é torná-la responsável pela nossa felicidade, passar-lhe o imenso cargo de um fardo que é ou deveria ser individual. Kant desenvolve isto logo nas primeiras páginas da Metafísica dos Costumes, ou da Fundamentação a esta, já nem sei, a toxicidade de quem recusando-se a assumir culpas da própria vida, acabar por tornar externa essa infelicidade, alastrando-a que nem um cancro para todos com quem priva. A ideia é tão básica que quase que podemos dizer "a sério Immanuel, that's the best you can get?, mas a dificuldade não reside na percepção ou na concordância, assenta somente na interiorização. Depois da vitimização, percebemo-nos que para a próxima a coisa mais bonita e intensa que podemos dizer à pessoa que efectivamente viremos a amar, não é "estou feliz porque estou contigo", mas sim desmantelar a estrutura frásica em jeito consequencial, e acrescentar, "estou feliz porque também estou contigo".

4 comentários:

Sara disse...

So, so true. Acredito sinceramente que só interiorizando esse conceito aparentemente tão simples, que o Immanuel postulou, é que podemos realmente começar a pensar em felicidade/realizaçao pessoal, ou o que quer que lhe queiramos chamar, e livrarmo-nos do peso desa dependência e vitimização que, em última instância, só nos limita.

Isa disse...

oh yeah, não sei quem é essa gente mas estão certíssimos :) e adorei o uso da palavra injustiça :)
Bjos

o anão gigante disse...

Estiveste mesmo muito bem.

Filigraana disse...

Bonito, pá. Porque verdadeiro.