terça-feira, 12 de julho de 2011

Auto- retrato (por mão de outra pessoa)


Não sei o nome do quadro, nem a data - não vou mentir, não pesquisei. Sabem que é da Frida Kahlo, para mais infos façam os TPC's

Agora vamos editar: imaginem umas sobrancelhas depiladas cirurgicamente todas as semanas. A inexistência da penugem labial, filiações ao partido comunista e atracção por pessoas do mesmo sexo. Na testa, em vez do gordalhão do Diego Rivera, metam um tipo jeitoso, de olhos inteligentes e rasgados, nariz impertinente que tanta vez cocei, a coisa-mais-linda-perfeita-deslumbrante, objectiva e subjectivamente, que vi na minha vida. As lágrimas deixem ficar e o cabelo desgrenhado também, que Deus sabe que com estes humores e estas obsessões, não ando lá muito amiga do pente. É um cliché - isto das mulheres sofridas irem buscar a Frida - ao menos não pus o do veado cheio de setas ou dos "picotitos", que retrata a mulher estropiada pelo ex-amante. Não quero nada de violento, acima de tudo não quero nada que sugira que ele me magoou. Este está bem, triste como eufemismo, pela existência de alguém querido, somente naquele lugar tão insatisfatório e ingrato, o pensamento.

[ou como este post se poderia traduzir numa mensagem bem mais simples: «tens uma casa espectacular, fica por lá e deixa-me os cornos em paz, se faz favor».]

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