domingo, 19 de junho de 2011

Kierkegaard, na sua teorização acerca da fé avança que esta só pode existir no absurdo. Tudo o resto, o acreditar no que pode ser provado, no que pode até existir, é mera esperança. A "fé" é o tiro no escuro do impossível. Eu acredito nisto e admito que me tem feito sofrer e ficar mal-vista aos olhos alheios que acham que enlouqueci há um par de anos atrás. Contudo e apesar disso, em dias como o de hoje lamento que não existam mais pessoas assim, menos práticas, menos desistentes, mais resilientes, mais dispostas a sofrer - mais desejosas de algo que não seja a felicidadezinha comóda de passear o cão e comer um gelado ao fim da tarde.

[Eu falo mas na verdade tenho uma inveja desmedida de não ser capaz de ser assim.]

47 comentários:

Piston disse...

Isso já não se usa, é um facto. Insistir em comportamentos do passado na sociedade do presente não te vai trazer nada de bom.

RBM disse...

Sim, tens razão. Mas e conseguir ser "moderna"?

Piston disse...

Acho que preferes enganar-te a admitires os factos.

RBM disse...

Não, não é nada disso. Eu admiti os factos. Mas uma coisa é admiti-los; outra é saber lidar com eles.

Piston disse...

Verdade. Ainda assim acho que conservas uma esperança.

Rita disse...

Dizes isso porque o normal é as pessoas agarrarem-se a coisas que sabem que ainda podem ter. E faz sentido, a vida já é suficientemente complicada, porquê canalizar energias para o tal impossível? Não faz mesmo sentido, é ilógico e qualquer regra de bom-sendo, instinto de sobrevivência, livro de auto-ajuda te dirá isso. Guarda as tuas energias para o que vale a pena. Eu não sou irracional no sentido que não percebo isto. Mas sou-o porque não se aplica a mim. Acredita não tenho qualquer esperanças. E é exactamente por isso, que é tão díficil.

RBM disse...

as minhas várias contas gmail a fazer das suas. :)

Piston disse...

Não. Digo isto porque é normal as pessoas agarrarem-se mesmo àquilo que não podem ter.

Uma é a conta racional e a outra é a emocional. A racional tenta encontrar um caminho lógico para aquilo que a emocional dita.

RBM disse...

Deixa estar, eventualmente isto vai-me passar um dia, e aí posso deixar de escrever estes posts e tranformar o barraco num fashion blog.

Piston disse...

Antes ir para um convento.

Rita disse...

(já viste, agora as pessoas vão pensar que as minhas incursões filosóficas induzem à reflexão e à emissão de opiniões, enquanto na verdade fomos só nós os dois que estamos aborrecidos - eu porque tenho de estudar, tu não sei porquê - que estivemos para aqui a falar do quão rídicula eu sou)

Piston disse...

Desde que não me usem como cinzeiro, podem pensar o que quiserem.
Estivemos apenas a falar do que atormenta muita gente mas que não pode ser debilitante a esse ponto.

RBM disse...

nunca me tinham chamado débil antes :(

Piston disse...

É uma interpretação possível mas não foi isso que eu escrevi.

RBM disse...

Piston, já foste à praia este ano?

Piston disse...

Já. Para onde vai esta linha de raciocínio?

RBM disse...

(estava a mudar discretamente de assunto)

Piston disse...

Encerra-se já o assunto.

RBM disse...

E tu, Piston, como é que andas?

Piston disse...

Uma maravilha. Acho que se estivesse melhor entrava em combustão.

RBM disse...

Agora a sério, não conheces muita gente da nossa idade que está na merda?

Piston disse...

Da nossa e de outras. Estar na merda não é um exclusivo geracional.

RBM disse...

A questão é que houve uma alteração, eu acho. Antes falava-se de crise de meia idade - tinha-se como aceitável que numa certa idade as pessoas lá se passassem e começassem a questionar tudo o que tinham feito. Agora, vês estas crises existenciais começarem cada vez mais cedo.

Piston disse...

Se tivesses a idade que tens e este momento se passasse há 25 anos atrás, muito provavelmente estavas casada, com filhos, numa relação mais semelhante a uma amizade do que outra coisa qualquer, mas numa relação. Talvez durasse para sempre ou mais 10, 20 anos.

O que é certo é que hoje temos menos laços que nos prendem, os que existem são mais frágeis, somos mais egoístas, mais cobardes em alguns sentidos e não temos a pressão para casar rapidinho.

RBM disse...

Isto parece um peixinho de rabo na boca. Voltamos ao que eu escrevi no post - é que continua a existir gente assim: eu conheço gente assim, que encontrou uma pessoa com quem se dá bem, são felizes e tal - mas vês que não houve ali nada mais do que uma junção de interesses e muito medo de ficar sozinho. Críticas à parte essas pessoas são felizes - lá devem ter as suas coisas, mas garanto-te não estão de certeza como eu. E é disso que tenho inveja.

Piston disse...

Desde que não mintas tudo é "legal". Só tens que deixar-te levar um pouco mais pela maré.

RBM disse...

Agora não me consegui explicar bem, porque estou dividida com a matéria para o exame amanhã. Mas algo na simplicidade com que certas pessoas levam a vida que me surpreende. faz-me sentir muito inapta. hei-de escrever um dia um post acerca disto.

RBM disse...

Bem Piston, tens poderes mediúnicos? É que sem saberes puseste o dedo em cheio na ferida. Ouch.

Piston disse...

Será que não são elas que estão certas? A vida é suposto ser constantemente um artigo do jornal "O Diabo"?

RBM disse...

Dá uma oportunidade à próxima rapariga que se interessar por ti. Se ela se mostrar decente e que se preocupa. Deixa-te ir. Se resultar, casarem, tiverem filhos, um pastor alemão e te sentires feliz, eu tento o mesmo (com um homem, leia-se e um golden retriever).

Piston disse...

Não estou no ramo da bestialidade. Lamento.
Primeiro é preciso que consiga tolerar a presença da pessoa durante mais de três encontros.

RBM disse...

Pffff Pffff eu quando falo em cães penso numa casota bonita no quintal. depois há quem associe logo a práticas de bestialidade. Enfim.

Pois, aí percebo-te. Mas se calhar o que te faz não suportar as raparigas são os tais handicaps que temos limar. Obviamente que não terás de a suportar se ela tiver mau-hálito, por exemplo. Mas vamos ser honestos, quantas vezes as coisas que cortam o interesse não são assim para o rasteirinhas?

Piston disse...

Em alguns casos são meras desculpas muito bem procuradas.
É preciso, pelo menos, ir a jogo.

RBM disse...

Era aí que eu queria chegar. Ao menos reconheces isso. Não vai custar muito contornar isso.

Piston disse...

Não tem sido. Não havia bagagem nenhuma para transportar ou, a haver, já estava muito leve.

RBM disse...

Hmmm. Eu tenho um palpite, mas não antecipo por questões de privacidade, sabe-se lá que tarados vêm ler isto depois.

Piston disse...

A minha teoria é que não aceitaste e manténs a esperança. Só isso.

RBM disse...

Honestamente e em jeito de súmula e desabafo?

Eu não tenho esperanças. Sei que agora acabou. Tu conheceste-me antes, e decerto notas as diferenças, eu tinha muito mais sentido de humor, era muito mais segura, parceia no geral ser mais feliz. A verdade é que eu também me cansei dos outros a vida inteira, chegava aquel ponto em que me abstraia do que os outros diziam e respondia com alguma banalidade qualquer nas interrupções. Para uma pessoa que está habituada a fartar-se conhecer alguém que não cansa, é um balsámo e isso apanhou-me de surpresa. Aparentemente, pelo que escrevo eu mudei para pior, mas o que ele me trouxe é imensurável.

Uma coisa é aceitar o fim de um relacionamento, outra é ter de lidar com o sentimento mais filho da puta que existe no mundo, que são as saudades, que não se conseguem mesmo racionalizar. E o problema é que ele - como pessoa estupenda que é, nem estou a falar do aspecto amoroso da coisa- deixou muitas.

E é com isso que não consigo lidar.

Piston disse...

Tirando o erro que repetes ao achar que nos conhecemos, compreendo isso tudo. Também compreendo que tenho encontrado, não com tanta frequência como a desejada mas mesmo assim maior do que a que julgava possível, umas quantas pessoas que se toleram muito bem e que até são agradáveis.

Tens que dar mais oportunidades ao acaso.

RBM disse...

? Conhecemo-nos dos blogs, se calhar não te lembras porque eu lês muitos mais blogs do que eu, que leio mesmo muito poucos, mas antes disto tudo, já nos líamos.

Piston disse...

Admito. É possível.

RBM disse...

Agora podia ser mázinha, mas não me apetece.

Piston disse...

Ficamos todos mais felizes.

RBM disse...

Eu sei que sim.

Piston disse...

Estuda.

RBM disse...

Xiu, não és meu pai para me mandar estudar.

Piston disse...

Não sou. Só isso.