domingo, 26 de junho de 2011

Há pouco falavam da minha facilidade em dar oportunidades - é verdade e eu própria, admito, tenho um carácter permissivo que muita gente confunde com banana ou mole. Eu explico, durante anos a fio acreditei que a teoria do bom selvagem era uma fábula, do que eu gostava mesmo era da concepção pessimista da natureza  humana tal e qual teorizada por Hobbes: somos todos egoístas, egocêntricos, procuramos a própria felicidade localizada no umbigo; e para tal competimos, desconfiamos e "bazofiamos" desenfreadamente. A vida - agora pareço aqueles bebêdos com a cabeça a tombar sobre o copo de aguardente na tasca do bairro - ensinou-me a ser diferente. Já precisei de uma segunda oportunidade e foi-me dada. A gratidão foi incomensurável e ensinou-me uma coisa importante: a ter fé nas pessoas. Na maioria das vezes sou de uma negligência atroz - faço de conta que oiço, enquanto sorrio e emito expressões de concordância - mas para quem vale a pena, faço de tudo para que tenham também fé em mim.

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