segunda-feira, 13 de junho de 2011

Das festas

Sou da opinião que as noivas de S. António são um belíssimo mecanismo de, em nome de uma tradição completamente descontextualizada, desviar-se fundos que seriam muitos úteis a preservar e a melhorar a cidade e encher "o cu a gulosos". Desculpem lá a grosseria da expressão; mas vejo aqueles casais já todos de casas montadas e juntos há quinze anos, que agora por acaso lá se lembraram de casar e nenhum sem admitir sequer que o giro da situação é terem tudo pago, e honestamente, dá-me um certo asco. Não gosto de sardinhadas, não gosto de levar com o fumo dos braseiros montados à porta de cada tasca, não sou de todo uma pessoa festiva que se alegra a ver as marchas. Até os manjericos morrem-me todos passados poucos dias cá em casa. Porém ontem, no meio de um desânimo nada repentino lamentei-me pela minha falta de tradicionalismo - porque se não, tinha ido virar o Santo de cabeça para baixo e esperar pela resolução do milagre que tanto preciso, e ao menos assim, teria esperança e fé em algo.

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